quinta-feira, junho 15, 2006

Arquivo Junho 2006 - 1ª Semana

03/06 - Vista de Bruxelas, uma espécie de capital da Europa unificada, a evolução política recente da América Latina causa tanto desconforto que até o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, abre uma pequena brecha na inevitável cautela diplomática para atacar o que chama de populismo, como tendência que considera "nefasta" - Entrevista (FSP).

- Três pesquisas de intenção de voto divulgadas ontem revelam que o ex-presidente de centro-esquerda Alan García continua na frente do nacionalista Ollanta Humala para o segundo turno da eleição peruana, marcado para amanhã (FSP).

- Diante da ameaça de uma greve geral, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou em cadeia nacional de rádio e TV um pacote de medidas de educação ao custo de 31 bilhões de pesos (R$ 132 milhões) neste ano para atender parte das reivindicações dos estudantes secundaristas que protestam há duas semanas (FSP).

- Antes conhecida como a capital mundial da violência, a cidade colombiana de Medellín se transformou. Um dado importante dá conta dessa mudança: em 1991, no auge da era do narcoterrorismo comandado por Pablo Escobar, a taxa de homicídios dolosos (com intenção) chegava a 361 para cada 100 mil habitantes. Hoje, são 32,5 homicídios em cada 100 mil. O início do processo de desmobilização dos grupos paramilitares de extrema-direita das AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) é parte da explicação dessa transformação (FSP).

- A crise de representatividade dos partidos políticos tradicionais na América Latina foi o tema que dominou as discussões entre vários ex-presidentes latino-americanos no 4º Encontro do Grupo de Biarritz, encerrado ontem no Memorial da América Latina, em São Paulo (FSP).

02/06 - As exportações brasileiras para os EUA e a União Européia caíram 6,3% e 6,2%, respectivamente, entre maio de 2005 e maio deste ano. Os números, do Ministério do Desenvolvimento, mostram que essas regiões perderam para a América Latina o título de principal parceiro comercial do Brasil (FSP).

- A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) preparou o terreno ontem para manter inalteradas as cotas de produção petroleira e para continuar bombeando petróleo praticamente em plena capacidade, rejeitando proposta de corte na oferta apresentada pela Venezuela, anfitriã da reunião do grupo e principal defensora da linha dura quanto aos preços (FSP).

- Os frenéticos dias finais do segundo turno peruano, a ser decidido no próximo domingo, ainda não envolveram o contra-almirante aposentado Luis Giampietri Rojas, o candidato a vice-presidente de Alan García. Discreto ao longo da campanha e figura polêmica durante a guerra contra o Sendero Luminoso, dificilmente aparece em atos públicos e quase não concede entrevistas (FSP).

- O ex-diretor do Banco Central do Peru Gonzalo García Núñez foi convidado para ser o contrapeso moderado na chapa do candidato nacionalista Ollanta Humala, um militar aposentado que se tornou conhecido por promover um levante contra o Estado, em 2000 - Entrevista - (FSP).

- Criticado por organismos internacionais por sua atitude "intimidatória" com a imprensa, agora o governo do presidente argentino, Néstor Kirchner, está sendo questionado na Justiça acusado de aplicar uma "política discriminatória" na distribuição da publicidade oficial (FSP).

- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, referiu-se ontem como "amigo" ao compatriota Vladimir Ramírez Sánchez, o Chacal, que cumpre pena perpétua por atividades terroristas em Paris (FSP).

01/06 - A Petrobras assina hoje contrato de compra de 51% do controle da Gaseba Uruguay, distribuidora de gás que atua em Montevidéu, por cerca de US$ 13 milhões. Com a aquisição, a Petrobras vai se tornar a quinta maior empresa do Uruguai e a maior distribuidora do país (FSP).

- Até a campanha do nacionalista Ollanta Humala admite: ao se meter na eleição peruana, Hugo Chávez, se transformou no principal cabo eleitoral de Alan García, que praticamente não fala mais sobre o seu adversário de domingo para centrar fogo no venezuelano e, por outro lado, cortejar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (FSP).

- Num cenário em que a "integração na América Latina parece estar em crise", Chile e Brasil pretendem unir forças para convencer vizinhos a lançar um marco jurídico comum, que dê segurança a investidores para alavancar um plano de integração física na região -leia-se obras e mais obras de infra- estrutura. A estratégia, que foi delineada pelo chanceler chileno, Alejandro Foxley, anteontem em entrevista exclusiva à FSP, será perseguida no mês de agosto, durante uma reunião da Comunidade Sul-Americana de Nações (FSP).

- Os estudantes secundaristas que lideraram na segunda-feira os maiores protestos do governo de Michelle Bachelet deram ontem um ultimato até sexta-feira ao governo para atender suas exigências. Do contrário, convocarão uma greve de estudantes e trabalhadores (FSP).

- Quatro oficiais do Exército da Argentina foram punidos com detenção de até 20 dias após serem apontados como responsáveis pelas falhas na segurança que permitiram que manifestantes hostilizassem o presidente argentino, Néstor Kirchner, durante seu discurso pelo dia do Exército no país, na última segunda-feira (FSP).

Arquivo Maio 2006 - 5ª Semana

- 31/05 - O governo boliviano começou a notificar as cerca de cem famílias brasileiras que possuem terras em regiões fronteiriças da Bolívia para que regularizem suas propriedades no país, informou o vice-ministro de Terras, Alejandro Almaraz (FSP).

- Apesar das críticas de integrantes do governo boliviano à Petrobras, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afirmou ontem que as negociações sobre a questão do gás entre Brasil e Bolívia estão correndo "extremamente bem", e agora os dois países estão falando "a mesma linguagem" (FSP).

- Mais de 600.000 estudantes secundaristas do Chile fizeram greve ontem por melhores condições na educação pública, na maior manifestação estudantil do país desde 1972. Protestos nas proximidades do Palacio de la Moneda, sede da presidência, em Santiago, terminaram em confrontos com a polícia. Houve 12 feridos e mais de 300 detidos (FSP).

30/05 - A sensibilidade que começa a se desenvolver com relação à América Latina vem fazendo com que os investidores reavaliem seus compromissos. "Onde existe qualquer risco de que as coisas vão pelo caminho da Bolívia os investimentos estão suspensos", disse Stephen Donehoo, que assessora investidores para a Kissinger McLarty, nos EUA (FSP).

- O presidente da Bolívia, Evo Morales, retirou ontem as forças militares que ocupavam instalações de energia do país desde a nacionalização das reservas de hidrocarbonetos, decretada no último dia 1º (FSP).

- O segundo turno da campanha presidencial peruana chega à sua última semana com episódios diários de violência e trocas de insultos. O temor de mais confrontos aumentou depois que o presidente Alejandro Toledo afirmou, no último fim de semana, que teme a ocorrência de "conflitos pagos" no domingo, dia da votação (FSP).

- Irritado com a participação de militares em um ato em defesa da "luta contra a subversão" na ditadura, o presidente argentino, Néstor Kirchner, afirmou ontem que quer soldados "distantes do terrorismo de Estado" (FSP).

29/05 - A disputa pública que desencadeou conflitos de rua e resultou na expulsão da siderúrgica brasileira EBX da Bolívia pelo presidente Evo Morales esconde uma luta pela megajazida de minério de ferro de Mutún, estimada oficialmente em ao menos US$ 40 bilhões. O governo cancelou a licitação, preparada pela gestão anterior, sob a alegação de que a empresa de Eike Batista e o banco francês BNP Paribas manipularam o processo para obter a vitória (FSP).

- A EBX nega que a implantação da siderúrgica na mesma região de Mutún estivesse relacionada com a licitação para explorar a jazida de minério de ferro e rechaça tráfico de influência nos governos pré-Evo Morales, responsáveis pelo processo (FSP).

- Principal aliado de Evo Morales, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem demonstrado interesse em participar da exploração de Mutún, embora nenhuma empresa de seu país tenha participado do novo processo licitatório, que privilegia o uso do gás natural (FSP).