terça-feira, maio 23, 2006

Arquivo Maio 2006 - 4ª Semana

27/05 - Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, reuniram-se ontem na região cocaleira do Chapare para anunciar, entre outras medidas, um pacote de investimentos em gás e petróleo com um aporte inicial de US$ 1,5 bilhão por meio da PDVSA, a gigante petroleira venezuelana. É o mesmo valor investido pela Petrobras Bolívia, atualmente a maior empresa do país, junto com suas sócias (FSP).

- O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse em Salvador que acha "muito difícil" a estatal venezuelana PDVSA substituir a empresa brasileira na Bolívia, "em função do mercado nacional, que é o principal destinado do gás boliviano" (FSP).

26/05 - No primeiro grande ato pela reeleição e diante de milhares de pessoas arregimentadas por seus apoiadores, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, discursou ontem na praça de Maio, a principal do país, fez um balanço de seus três anos de gestão e reivindicou para si a "mística peronista" do líder de massas (FSP).

25/05 - O preço do trigo vem subindo no mercado externo e pressionando os preços também no mercado argentino, grande exportador do produto. Para evitar a alta interna dos preços, o governo Kirchner, após ameaçar a proibição das exportações, fez o setor se comprometer a fazer uma auto-regulação. Essa auto-regulação significa que deve ser garantida maior oferta de trigo e de farinha no mercado interno e redução do produto a ser exportado (FSP).

- Depois de dois dias de reunião em Buenos Aires, com o acompanhamento contínuo do presidente Hugo Chávez desde Caracas, os sócios do Mercosul declararam "concluídas" ontem as negociações para a entrada da Venezuela como membro pleno do bloco (FSP).

O presidente da Bolívia, Evo Morales, reagiu às críticas do colega norte-americano, George W. Bush, para quem seu governo atenta à democracia, assim como o do venezuelano Hugo Chávez.
Morales assegurou que seu governo, "contrariamente à opinião" de Bush, "fortalece a democracia com iniciativas como a Assembléia Constituinte nacional, proposta pelo presidente boliviano (FSP).

- A Argentina está disposta a aceitar um aumento do preço do insumo energético, que passaria de US$ 3,18 por milhão de BTU (unidade de medida de energia) para algo entre US$ 5 e US$ 5,5.
Desse modo, o Brasil ficará isolado, se o aumento foi acertado (FSP).

- O Comitê Político da União Pelo Peru, de Ollanta Humala, tomou a decisão de "distanciar" seu candidato do presidente Hugo Chávez, da Venezuela. As avaliações internas, com base inclusive em opiniões de analistas independentes, concluíram que a idéia de proximidade com Chávez teria atuado como fator de desgaste. Os peruanos, em sua maioria, são contra o que consideram intervenção do mandatário venezuelano em questões suas e o candidato à frente nas pesquisas, o ex-presidente Alan GarcÍa, não perdeu tempo em usar essa carta (FSP).

- Três anos depois de ser eleito com apenas 22% de votos, o presidente Néstor Kirchner vai testar hoje seu poder político e seu apelo popular em um ato na praça de Maio. A intenção da Casa Rosada é levar ao menos 100 mil pessoas para ouvir Kirchner falar na cerimônia de comemoração do Dia da Pátria (FSP).

23/05 - Em uma viagem planejada mais para normalizar as relações diplomáticas do que para solucionar impasses em torno do gás, o chanceler Celso Amorim ouviu ontem do presidente boliviano, Evo Morales, um pedido para agilizar as negociações em torno dos termos da nacionalização e do preço do produto exportado ao Brasil (FSP).

- O debate dos candidatos à presidência do Peru, no domingo, terminou em empate. Para analistas, o social-democrata Alan García, que tem 56% das intenções de voto, venceu o debate (FSP).

22/05 - Dias antes de comemorar três anos de governo num ato público onde espera contar com a presença de 100 mil pessoas, o presidente argentino, Néstor Kirchner, fez um balanço de seu mandato, evitou responder se é candidato à reeleição -em 2007-, mas disse que sua mulher, a senadora Cristina Kirchner, "tem todas as condições" para o cargo (FSP).

21/05 - A pobreza da Bolívia contrastou, durante muito tempo, com a riqueza de um de seus filhos, Antenor Patiño, o "rei do estanho", nascido nos últimos anos do século 19 e considerado um dos homens mais ricos de seu tempo. (FSP).

- O ex-chefe de espionagem do governo de Alberto Fujimori, Vladimiro Montesinos, disse ontem que a rebelião militar liderada pelo hoje candidato nacionalista à Presidência do Peru Ollanta Humala, há seis anos, foi uma "farsa, uma operação de enganação e manipulação" para "facilitar minha fuga do país". Humala nega (FSP).

Arquivo Maio 2006 - 3ª Semana

20/05 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Natal (RN), que o Brasil deverá alcançar a auto-suficiência na produção de gás em 2008. Mesmo assim, afirmou, não deixará de importar o produto da Bolívia para ajudar o povo daquele país, que, segundo ele, é "muito pobre" (FSP).

- A Venezuela emprestará à Bolívia US$ 100 milhões para a execução do seu projeto de reforma agrária, disse ontem o ministro de Desenvolvimento Rural, Agropecuário e Meio Ambiente da Bolívia, Hugo Salvatierra (FSP).

19/05 - A Petrobras anunciou ontem que irá aumentar a oferta de gás natural produzido no Brasil em 24,2 milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2008. O Brasil continuará importando gás boliviano, mas o aumento da demanda nos próximos anos poderá ser atendido por gás do país. O gás adicional virá de novas descobertas na bacia do Espírito Santo (FSP).

- A Petrobras já tem plano para substituir os 14 milhões de metros cúbicos de gás que seriam importados pelo gasoduto Bolívia-Brasil: a estatal construirá duas unidades que permitirão trazer gás do exterior em navios sob a forma de GNL (Gás Natural Liquefeito). O investimento será de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões (FSP).

- A economia argentina completou em março sete trimestres consecutivos de crescimento superior a 8%, apesar de o nível de atividade daquele mês ter ficado abaixo do esperado pelo mercado (FSP).

- Diante de um personagem tão polarizador, amado e odiado com igual grau de histeria, a biografia "Hugo Chávez sem uniforme" (ed. Gryphus) foi elogiada em críticas desde o "The New York Times" ao diário da esquerda argentina "Página/12". Os autores -o casal venezuelano formado pela jornalista Cristina Marcano e o escritor Alberto Barrera- viveram no México entre 1996 e 2002, ficando de fora da eleição do ex-coronel e do golpe contra ele. A proposta de escrever a biografia nasceu justamente do braço mexicano da editora Random House/Mondadori. Ambos voltaram à Venezuela, e durante dois anos, até o final de 2004, pesquisaram a vida do presidente, há sete anos no poder - Entrevista (FSP).

- O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, 67, foi libertado ontem sob fiança e deixou a prisão no Chile onde esteve detido nos últimos seis meses (FSP).

- O ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990) foi interrogado ontem sobre o desaparecimento de 37 dissidentes durante seu regime como parte da Operação Colombo (FSP).

18/05 - O episódio Brasil-Bolívia não é suficiente para julgar Evo Morales. Por enquanto, mostra apenas um político desajeitado em um país sem tradição diplomática. Mas está sendo fundamental para avaliar a conveniência ou não de avançar qualquer projeto com Hugo Chávez, o presidente da Venezuela - Luís Nassif (FSP).

- O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que "se restabeleceu o clima de confiança" entre o Brasil e a Bolívia, "passados os excessos verbais de algumas autoridades bolivianas"(FSP).

- O comércio entre os países latino-americanos crescerá 15,5% em 2006 e atingirá uma movimentação de US$ 90 bilhões. A previsão consta no informe Projeções do Comércio Inter-regional - Perspectivas para 2006 -, da Aladi (Associação Latino-americana de Integração), que coloca o Brasil como locomotiva desse crescimento, com 24% do seu total (FSP).

- O Equador classificou como chantagem a decisão dos EUA de interromper negociações do acordo bilateral dos dois países devido à decisão do governo equatoriano de rescindir o contrato que tinha com a petrolífera americana Oxy (FSP).

- A economia venezuelana registrou no primeiro trimestre deste ano um crescimento de 9,4% em seu PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com o Banco Central da Venezuela, este é o décimo trimestre consecutivo de alta e o melhor desempenho da economia desde 1990, quando o país começou a calcular o PIB por trimestre (FSP).

- O candidato nacionalista à Presidência do Peru, Ollanta Humala, deve ganhar força entre o eleitorado pobre na reta final do segundo turno, caracterizando seu rival, o ex-presidente Alan García, como o "candidato da elite", avaliou Alfredo Torres, diretor do Apoyo. O instituto de pesquisa é o mais respeitado do Peru (FSP).

17/05 - O governo boliviano apresentou a sua proposta de reforma agrária, na qual prevê uma distribuição de terras "rápida e maciça", privilegia comunidades indígenas e mulheres e se compromete a respeitar latifúndios, desde que em situação regular e produtivos (FSP).

- Com um discurso bastante afinado com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que um possível reajuste do gás não deve afetar muito o Brasil e a Argentina (FSP).

- Independentemente do resultado das negociações entre a Petrobras e a YPFB (estatal boliviana), o preço do gás natural comprado da Bolívia aumenta em julho. O aumento é resultado da aplicação do contrato em vigor entre as duas empresas, que prevê reajustes trimestrais (FSP).

- O governo Bush anunciou ontem que encerrou as negociações para um acordo de livre comércio com o Equador. "Estamos muito decepcionados. A partir de agora, encerramos as nossas negociações com o país", afirmou Neena Moorjani, porta-voz do USTr (órgão representante de comércio nos Estados Unidos), referindo-se à decisão tomada anteontem pelo governo equatoriano de cancelar contrato de operação da petrolífera americana Occidental no país (FSP).

- O Congresso da Venezuela aprovou ontem o novo imposto a ser cobrado de petrolíferas estrangeiras no país.
Agora, empresas como Chevron, Exxon Mobile, ConocoPhillips, Norway's Statoil ASA e France's Total, que atuam na bacia do rio Orinoco, serão obrigadas a pagar uma taxa de 33,3% sobre suas atividades para poder operar no país, a mesma taxa cobrada pelas empresas privadas em joint ventures com o governo (FSP).

- As Forças Armadas venezuelanas estudam a venda de seus 21 caças F-16 de fabricação americana a outro país, possivelmente o Irã, em reação ao veto à compra de armas imposto ao país pelos EUA (FSP).

16/05 - O presidente boliviano, Evo Morales, deixou ontem definitivamente claro que seu governo não vai indenizar a Petrobras pelos investimentos feitos no país vizinho, mas poderá fazê-lo em relação às instalações da estatal brasileira, na dependência dos resultados de uma auditoria já em andamento (FSP).

- Novamente sem aviso prévio e para demonstrar força, o governo boliviano promulgou ontem um decreto adicional de nacionalização dos hidrocarbonetos, no qual estabelece um prazo de apenas três dias para que os fundos de pensão transfiram ao Estado as ações de três empresas nacionalizadas, sob pena de intervenção (FSP).

- A Petrobras considera a possibilidade de aumentar os investimentos na exploração e na produção de gás, em decorrência da crise com a Bolívia, que pode, em tese, adiar em alguns meses a auto-suficiência do país, segundo o diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbasse (FSP).

- O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, disse acreditar numa posição "flexível" da Petrobras durante as negociações sobre a fixação do preço do gás vendido ao Brasil, mas advertiu que, caso não haja aumento, os volumes de exportação permanecerão os mesmos (FSP).

- No momento em que a Petrobras sinaliza que não aceitará o aumento do gás boliviano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a importação do produto ao mercado nacional está condicionada ao preço que o vizinho sul-americano irá oferecer ao Brasil. De acordo com Lula, o governo "vai priorizar agora a busca pela auto-suficiência na produção de gás"(FSP).

- O Palácio do Planalto já dá como certa a desapropriação em massa dos fazendeiros brasileiros na Bolívia, mas, por outro lado, não possui nenhum plano emergencial para remanejá-los para terras nacionais (FSP).

- A empresa petrolífera francesa Total anunciou ontem que está disposta a deixar de investir na Bolívia após a decisão do país vizinho de nacionalizar as reservas de petróleo e gás. A Total tem participação de 15% nos campos de San Antonio e San Alberto, na Bolívia -operados pela Petrobras (FSP).

- Os EUA proibiram ontem a venda de armas e material militar à Venezuela, ao considerar que o país não coopera na luta contra o terrorismo. Chávez respondeu que a atitude era "imperialista".
O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que está convencido de que o governo venezuelano "ganhou honestamente seu lugar entre os países que não cooperam na luta antiterrorista" (FSP).

15/05 - A Petrobras e a YPFB (estatal boliviana) iniciam hoje processo de negociação sobre o preço do gás, mas, do lado brasileiro, já está decidido: não será aceito pedido de aumento.
Segundo a Folha apurou, a Petrobras demonstrará aos representantes da estatal boliviana que o aumento do gás torna o produto pouco competitivo no Brasil, o que levaria a indústria, principal consumidora, a substituí-lo por outros combustíveis (FSP).

- O presidente em exercício da Bolívia, Alvaro García Linera, disse que a parceria com o Brasil é muito mais importante do que a Venezuela e que não há motivos para "ciúmes" com relação aos potenciais investimentos do governo Hugo Chávez no país. Por outro lado, disse que, se a Petrobras não aceitar assinar novos contratos no período de 180 dias estipulado pelo decreto de nacionalização, terá de deixar o país -e, pelas auditorias do governo, sem direito a indenização sobre os megacampos de exploração San Alberto e San Antonio - Entrevista (FSP).

- O bate-boca e a crise diplomática entre Brasil e Bolívia após o decreto de nacionalização reacenderam no país a tese do "subimperialismo brasileiro", corrente entre a esquerda local, sobretudo nos anos 1970, por causa da relação entre as ditaduras militares. O tema é o assunto principal da edição distribuída ontem do semanário "Juguete Rabioso" ("Brinquedo Raivoso"), principal publicação ligada ao MAS (Movimento ao Socialismo), partido do presidente Evo Morales (FSP).

- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem em Paris que "ainda está tentando saber como se governa" e que não é fácil passar de "líder sindical a presidente". (FSP).

- A nacionalização das reservas de gás e petróleo da Bolívia é mais um sintoma do agravamento da disputa mundial pelo controle das reservas de combustíveis não-renováveis. O tema dominou a visita a Washington do presidente chinês, Hu Jintao, em abril, e estará na pauta da reunião do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) em julho, em São Petersburgo. Compõe também o pano de fundo das crises em torno do programa nuclear do Irã e da matança de civis na guerra civil em Darfur, no Sudão (FSP).

- O candidato de oposição à Presidência da Colômbia, Alvaro Leyva, desistiu ontem de sua candidatura. As eleições, marcadas para o próximo dia 28, têm o presidente Álvaro Uribe como favorito (FSP).

- Em entrevista ao jornal chinelo "El Mercurio", o ex-presidente argentino Carlos Menem, 76, disse estar determinado a participar da próxima eleição presidencial, marcada para outubro de 2007 (FSP).

14/05 - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse a seu colega boliviano, Evo Morales, que, por mais que defenda a integração sul-americana e a parceria com a Bolívia, não quer mais "uma espada sobre a cabeça", em alusão direta às duras críticas de Evo à Petrobras e ao Brasil, feitas em entrevista na quinta-feira, ainda que retificadas no dia seguinte (FSP).

- Entidades que representam 82% dos consumidores industriais de gás enviaram cartas ao governo em que reivindicam a criação de grupo de trabalho para discutir alternativas de abastecimento se houver interrupção de fornecimento pela Bolívia (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou conceito que começou a usar logo no início da Presidência para situá-lo no contexto da crise Brasil-Bolívia. "É preciso parar, na América Latina, de um presidente ficar culpando o mundo pela pobreza de seu país. É preciso saber o que nós deixamos de fazer em algum momento da nossa história e acho que, se a gente pensar no século 21, a gente pode dar um salto de qualidade. Se a gente ficar remoendo o passado, na verdade nós não andaremos."(FSP).

- O decreto de nacionalização do gás e petróleo na Bolívia faz parte de um "jogo político" necessário ao presidente Evo Morales, no qual é preciso encenar força e nacionalismo para um eleitorado radical e, nos bastidores, buscar diálogo e soluções negociadas com os países vizinhos e empresas investidoras. Essa é a opinião de William Powers, autor do livro "Whispering in the Giant's Ear", sobre a guerra da Bolívia contra a globalização, que será lançado na próxima semana nos Estados Unidos (FSP).

- "A integração sul-americana deveria ter sido feita baseada em regras claras e contratos, não apenas com afinidades ideológicas aparentes entre os governos." A opinião é do jornalista Michael Reid, editor desde 1999 da seção "The Americas", que inclui todo o noticiário latino-americano da revista britânica "The Economist", a bíblia do liberalismo econômico. Ele foi correspondente da revista em São Paulo de 1996 a 1999. Antes, Reid representou a publicação em Lima e na Cidade do México - Entrevista (FSP).

- Cuba busca uma transformação para sobreviver. Quem afirma é Fidel Castro. "Os ianques não podem destruir o processo revolucionário, pois nossa população aprendeu a portar armas. Mas este país pode se autodestruir se não formos capazes de corrigir nossos erros", diz o ditador, no poder desde 1959. O alerta foi feito durante uma série de cem horas de entrevista a Ignacio Ramonet, editor do "Le Monde Diplomatique", cujo resultado é o livro "Fidel Castro Autobiografia a Dos Voces". Nas 569 páginas, o líder cubano, que tem quase 80 anos, também fala de sua sucessão e afirma não acreditar que Cuba seguirá o caminho da União Soviética, embora reconheça as ameaças que enfrenta (FSP).

- O presidente da Bolívia continua a manter hábitos da época em que era líder sindical. Não se acostumou à residência oficial e prefere dormir, duas ou três vezes por semana, na pequena casa de 36 m2 que alugou em La Paz quando era deputado. Suas jornadas de trabalho duram 20 horas. Este é o relato de um dia completo com o homem que governa um dos países mais pobres da América do Sul. A data? 27 de abril, dia em que concluiu o decreto que nacionalizaria os hidrocarbonetos bolivianos (FSP).

- Morales está convencido de que existe uma conspiração contra ele: "Nessa conspiração existe uma corrente da oligarquia e de algumas multinacionais petrolíferas, de políticos nefastos, corruptos, neoliberais", acusa. "Temos informações dos serviços de inteligência e das Forças Armadas." Ele está preocupado? "Não, pelo contrário, me sinto forte."(FSP).

domingo, maio 07, 2006

Arquivo Maio 2006 - 2a. Semana

13/05 - O presidente boliviano, Evo Morales, desdisse ontem tudo o que havia dito na véspera sobre o Brasil e a Petrobras, fez um discurso de suprema humildade na sua segunda entrevista coletiva em dois dias de Viena, transformou a Petrobras de "contrabandista" em "sócia" outra vez e usou o mais velho e desgastado recurso dos governantes: culpou "tergiversações" da mídia pelo confronto, ao menos retórico, com o Brasil e o "companheiro" Lula (FSP).

- A nacionalização dos ativos petrolíferos promovida de maneira espalhafatosa pelo presidente boliviano, Evo Morales, encerra pelo menos quatro lições úteis para a discussão da integração regional e desenvolvimento - Gesner Oliveira (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou absolutamente só no Mercosul, ao menos na hipótese de uma reunião de cúpula do bloco sul-americano com seus parceiros da União Européia, uma tradição das três reuniões anteriores da cúpula maior, a dos europeus com o conjunto da América Latina/Caribe (FSP).

- A crise entre o Brasil e a Bolívia e o apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a seu colega Evo Morales enterram o principal projeto da política externa do governo atual, a integração da América do Sul, afirma o embaixador Rubens Ricupero (FSP).

- A Igreja Católica colombiana ameaçou tacitamente de excomunhão os juízes da Corte Constitucional que descriminalizaram em casos específicos a prática do aborto no país (FSP).

12/05 - O presidente boliviano, Evo Morales, instalou uma metralhadora giratória verbal na manhã de ontem em Viena, com a qual atingiu principalmente a Petrobras, acusada de "contrabandista", e o governo de seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cujos "colaboradores" teriam "bloqueado" as tentativas de Morales de se comunicar com Lula antes da nacionalização do gás, no dia 1º de maio. "Depois me procuraram imediatamente", ironizou o boliviano, com um leve sorriso no rosto cor de cobre de descendente de índios aymarás (FSP).

- A nacionalização das jazidas de gás e petróleo pelo presidente Evo Morales não surpreendeu. Antes e durante a campanha eleitoral para a Presidência da Bolívia, ele declarou que não se devia exportar o gás natural nas condições atuais e que as leis de hidrocarbonetos (gás e petróleo) tinham de ser modificadas de modo que o Estado boliviano receba 50%, e não 18% de impostos (FSP).

- O Congresso venezuelano divulgou ontem, em comunicado, a recomendação de que o Estado assuma o controle de projetos petrolíferos desenvolvidos por empresas multinacionais no país, como a Chevron e a ExxonMobil, instaladas na bacia do rio Orinoco (FSP).

- O chanceler brasileiro, Celso Amorim, transmitiu ontem à noite aos jornalistas a "indignação" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os comentários feitos de manhã pelo presidente boliviano, Evo Morales, a respeito da nacionalização do gás e da atuação da Petrobras no seu país (FSP).

- Em resposta às declarações do presidente da Bolívia, Evo Morales, a Petrobras divulgou ontem uma dura nota na qual expressa sua "indignação diante de acusações" de operar "deliberadamente à margem da lei".Sem citar nominalmente o presidente Morales, a nota diz ainda que a companhia "sente-se surpreendida pelas recentes notícias que relatam acusações de ilegalidade na sua atuação na Bolívia"(FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu o ataque de Evo Morales ao Brasil e à Petrobras à campanha eleitoral para a Assembléia Constituinte boliviana, eleição marcada para 2 de julho e peça fundamental no desenho do presidente da Bolívia para o que chama de "refundação" de seu país.O nacionalismo tem forte apelo eleitoral na Bolívia (como na maioria dos países) (FSP).

- A afirmação de Evo Morales sobre 70 contratos -segundo ele, ilegais- entre o Estado e as multinacionais petroleiras é uma posição histórica do seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), e uma grande controvérsia há dez anos.O contrato de risco compartilhado, a privatização da YPFB e a definição do preço do gás aos únicos compradores, Brasil e Argentina, são os três pontos da política de hidrocarbonetos herdada de governos passados e questionados pelo MAS (FSP).

- Em depoimento ao Senado, o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, disse que, durante a preparação do decreto que nacionalizou o gás e o petróleo, havia "insinuações muito diretas do governo brasileiro" de que poderia haver até uma intervenção militar contra o país (FSP).

- As duras declarações do presidente boliviano, Evo Morales, contra a Petrobras contrastam com a avaliação otimista das missões boliviana e brasileira do encontro de anteontem, em La Paz, que marcou o início das negociações para a revisão do preço do gás exportado e para a adaptação das operações da Petrobras ao decreto de nacionalização (FSP).

- A entrevista de Evo Morales ontem em Viena permite compor o perfil do governante boliviano conforme suas próprias palavras, em alguns dos principais temas que emergiram, ao menos no Brasil, após a nacionalização do gás.Mas é um perfil que está assentado menos em questões conjunturais e mais no resgate do que o boliviano considera "500 anos de espoliação" do seu país tanto por estrangeiros como pela elite local (FSP).

11/05 - A Venezuela e a Bolívia rechaçaram ontem comentários de autoridades brasileiras de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, teria influenciado a decisão boliviana de nacionalizar o setor de gás natural do país (FSP).

- "O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela poderia ter me consultado a respeito disso. Não falei o que a nota diz. Nunca trataria um chefe de Estado dessa forma, menos ainda um chefe de Estado de um país amigo", disse o assessor especial da Presidência brasileira para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a respeito da nota do governo venezuelano divulgada ontem (FSP).

- A crise com a Bolívia desencadeou, em certos meios políticos e jornalísticos brasileiros, uma súbita e veemente onda nacionalista. O clima é de indignação ruidosa e preocupação alarmada com os interesses nacionais. Há muito tempo não se vê tanta ênfase patriótica na imprensa e no Congresso -Paulo Nogueira Batista Jr. (FSP).

- Depois de mais de seis horas de reunião, o encontro entre os ministros brasileiro Silas Rondeau (Minas e Energia) e boliviano Andrés Soliz Rada (Hidrocarbonetos) terminou sem avanços aparentes em temas como a nacionalização das refinarias pertencentes à Petrobras e a negociação sobre o preço do gás (FSP).

- O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, anunciou ontem o pacote de investimentos na área de gás e petróleo que a estatal venezuelana PDVSA fará no país, que inclui construção de indústrias e a criação da bandeira Petroandina para uma rede de postos de gasolina. O anúncio será feito pelos presidentes Evo Morales e Hugo Chávez durante um encontro na quinta-feira da semana que vem (FSP).

- O presidente em exercício da Bolívia, Alvaro García Linera, disse ontem que os novos diretores e síndicos da Petrobras Bolívia Refinación S.A., indicados na segunda pelo governo, assumirão suas funções em duas semanas (FSP).

- O chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, afirmou em Madri (Espanha) que contratos assinados com empresas de petróleo e gás no país são "ilegais", em referência aos contratos de exploração de campos de gás e petróleo assinados nos anos 1990 (FSP).

- Os consumidores já se retraíram diante da perspectiva de aumento do preço do gás boliviano: o número de agendamentos feitos pelas oficinas de conversões de veículos para o uso do GNV (Gás Natural Veicular) caiu em 30% desde o início da crise. A estimativa é do Comitê de GNV (Gás Natural Veicular) do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo) (FSP).

- O Luiz Inácio Lula da Silva que desembarca no fim da tarde em Viena não é mais o primeiro presidente que parecia de esquerda, uma espécie de precursor da suposta onda que se alastrou depois pela América Latina.Ao contrário, está fora da foto da cúpula alternativa ao encontro de governantes da União Européia-América Latina/Caribe, motivo da viagem de Lula - Clóvis Rossi (FSP).

- O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, vai sair do extremo sul da América do Sul, atravessar o Atlântico mais meia Europa, para participar da 4ª Cúpula União Européia-América Latina/Caribe, amanhã, mas não fica para a habitual cúpula paralela que reúne apenas os quatro sócios do Mercosul e o conglomerado europeu, agora com 25 países, marcada para o dia seguinte (FSP).

- A CFI (Corporação Financeira Internacional), o braço financeiro do Banco Mundial, apresentou um plano em que amplia as exigências "ambientais e sociais" antes de conceder um crédito de US$ 400 milhões às duas multinacionais do papel que estão sendo construídas na fronteira com o Uruguai, centro da crise diplomática do país com a Argentina (FSP).

10/05 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que a política externa brasileira "nunca será a do porrete", ao falar sobre a crise do gás a senadores, e admitiu que o venezuelano Hugo Chávez às vezes causa "desconforto" ao Brasil. Chamou a atitude boliviana de ocupar instalações da Petrobras com tropas de "adolescente" (FSP).

- Além do preço do gás natural, a Petrobras quer discutir a nomeação de quatro bolivianos para a estatal brasileira na reunião de hoje em La Paz, Bolívia, com representantes do governo boliviano e da estatal YPBF. De acordo com a empresa brasileira, para que os indicados possam assumir cargos de direção na Petrobras, é preciso que sejam cumpridos uma série de procedimentos (FSP).

- A Petrobras Bolívia divulgou ontem um duro comunicado em relação à nomeação, feita na véspera pelo governo boliviano, de quatro diretores e um síndico para as duas refinarias nacionalizadas pelo decreto do dia 1º de maio. Na nota, a empresa brasileira afirma que, para que a medida seja implantada, "há uma série de procedimentos e formalidades legais e societárias que devem ser cumpridas previamente, de acordo com a Constituição e as leis da República" (FSP).

- O preço do gás que o Brasil importa da Bolívia subiu 307% desde o início da operação do gasoduto que liga os dois países, em julho 1999. O percentual supera a variação de 250% do preço do petróleo no mesmo período (FSP).

- 09/05 - O governo boliviano nomeou ontem à tarde os novos diretores da Petrobras Bolívia Refinación S.A. e de outras empresas que, de acordo com o decreto de nacionalização, terão de passar o controle acionário à YPFB, a estatal boliviana de gás e petróleo. A posse dos diretores ainda não tem data marcada (FSP).

- O presidente da Bolívia, Evo Morales, convocou a população do país a "defender a nacionalização" dos hidrocarbonetos contra uma suposta conspiração em andamento contra o decreto assinado na semana passada (FSP).

- O conturbado episódio da nacionalização dos setores de petróleo e gás na Bolívia não muda e até reforça convicções que tenho manifestado neste espaço a respeito da importância do controle de setores estratégicos, cuja desnacionalização não é recomendável a nenhum país - Benjamin Steinbruch (FSP).

- A Petrobras inicia amanhã negociação direta com a Bolívia sobre o aumento de preço do gás, mas o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, antes se encontra com o venezuelano Hugo Chávez, principal apoiador da nacionalização feita por Evo Morales (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participe da missão brasileira que irá à Bolívia tratar dos interesses da Petrobras após a nacionalização dos hidrocarbonetos no país vizinho (FSP).

- O assessor especial da Presidência brasileira para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que a mudança de regras fundiárias na Bolívia, estudada pelo governo Evo Morales, "preocupa" o Brasil caso seja feita "ao arrepio da lei" e com quebra de contratos (FSP).

- Além de mais uma vez prometer que o preço do gás no Brasil não vai aumentar com a nacionalização das reservas bolivianas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não fará "provocações" nem adotará "retaliações" nas negociações com o vizinho sul-americano (FSP).

- A eleição peruana será um dos palcos onde a liderança da América do Sul será disputada, segundo o jornalista e escritor Alvaro Vargas Llosa."Chávez conseguiria um grande aliado para sua Alba se o Humala vencer. Já Alan García descobriu que pode ganhar votos se for o "anti-Chávez'", disse em relação aos dois candidatos que se enfrentam no segundo turno, no próximo 4 de junho (FSP).

- Uma pesquisa do instituto Apoyo colocou o segundo colocado no primeiro turno como favorito para as eleições de 4 de junho. O ex-presidente Alan García aparece com 57% dos votos válidos, contra 43% de Ollanta Humala (FSP).

08/05 - Depois do gás, a terra. O presidente boliviano, Evo Morales, já tem em sua mesa um pacote de decretos e um projeto de lei que regulamenta o que ele mesmo tem chamado de nacionalização da terra. A medida deve afetar de forma diferente as centenas de proprietários de terra brasileiros no país, divididos pelo governo entre sojicultores radicados no departamento de Santa Cruz e os que exercem atividades ilegais na extensa zona de fronteira (FSP).

- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou no sábado que pretende elevar em US$ 2 o preço do gás exportado pelo país. Hoje, o produto é vendido a US$ 3,60, mas chega ao consumidor brasileiro a US$ 5,60, em razão do custo de transporte. Se o desejo de Morales de aumento de 55% se concretizar, o preço subirá a pelo menos US$ 7,60 o milhar de m3 (FSP).

- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem em seu programa de rádio semanal que seu país vai aumentar sua receita com o setor de petróleo, criando um novo imposto e aumentando taxas já existentes para algumas empresas (FSP).

- O ingresso de venezuelanos na Bolívia aumentou 175% nos dois primeiros meses após a vitória do presidente Evo Morales, indicam documentos do Serviço Nacional de Imigração obtidos pela Folha (FSP).

- O jornal boliviano "La Razón" informou ontem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, participará, ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, do lançamento, na Bolívia, da campanha pela Assembléia Constituinte (FSP).

- Está claro que o presidente Lula não quer briga com a Bolívia de Evo Morales, assim como não quis briga quando Nestor Kirchner reclamou e levou medidas de proteção à indústria argentina que contrariam as regras do Mercosul e prejudicam exportadores brasileiros. Do mesmo modo, Lula não brigou com Hugo Chávez quando o governo da Venezuela impôs a mudança dos contratos da Petrobrás naquele país - Carlos Alberto Sardenberg (Estadão).

7/05 - O presidente da Bolívía, Evo Morales, defendeu hoje um forte aumento no preço do gás que seja capaz de resolver o déficit fiscal e ainda colocar as contas do país vizinho no azul.Segundo a estatal Agência Boliviana de Informação, Morales quer elevar o preço do combustível vendido ao Brasil e à Argentina em US$ 2. Hoje o Brasil paga US$ 3,26 por milhão de BTU (medida internacional de gás) --ou seja, a alta defendida pelo presidente alcança 61% (UOL).

- O Brasil já está no limite da oferta de gás e deve ter déficit de 8 milhões de m3/dia (cerca de 10% da demanda) daqui a quatro anos. Caso o governo cumpra a decisão de desestimular o consumo do gás por causa da crise com a Bolívia, o problema pode ser outro: energia mais cara ou a falta dela (FSP).

- Pela terceira vez em 70 anos, a Bolívia nacionalizou suas reservas de petróleo e gás natural. Diferentemente das duas primeiras ocasiões, em que os principais alvos foram empresas norte-americanas, desta vez a maior vítima foi a Petrobras.A decisão da Petrobras de suspender, por enquanto, novos projetos na Bolívia é sensata. José Alexandre Scheinkman (FSP).

- A Bolívia está chegando ao limite de sua capacidade de produção de gás e, sem novos investimentos, deve haver um déficit de 12 milhões de m3/dia entre os compromissos contratuais do país e o que ele será capaz de entregar aos compradores, entre os quais o principal é o Brasil.

- A divisão de gás da Petrobras não dá lucro, segundo informa Ildo Sauer, diretor de gás e energia da estatal. "O negócio de gás na companhia sempre foi deficitário, o lucro da Petrobras [de R$ 23,7 bilhões em 2005] vem da exploração de petróleo no Brasil." (FSP)

- O episódio Evo Morales está servindo para abrir os olhos do país para o que está ocorrendo no campo ambiental na fronteira Brasil-Bolívia. A EBX, de Eike Batista, foi acusada de desrespeitar a legislação ambiental da Bolívia. Bom, agora Eike atravessou a fronteira. Sua EBX está em Corumbá pleiteando uma licença ambiental para se instalar no lado brasileiro. Ou seja, virou uma questão interna do Brasil. E o que está ocorrendo por lá exige no mínimo um holofote amplo da mídia - Luiz Nassif (FSP).

- A ofensiva para mobilizar a opinião pública contra as petroleiras estrangeiras incluiu a divulgação, por jornais e TVs bolivianos, dos salários dos executivos que trabalham no país, entre os quais o presidente da Petrobras local, José Fernandes Freitas. O presidente de Repsol ganha 27 vezes mais que o presidente da República". O dirigente da petroleira espanhola tem salário equivalente a US$ 50 mil, enquanto Evo Morales, presidente boliviano, recebe US$ 1.870 -ele reduziu seus vencimentos em 50% depois que assumiu o cargo, em janeiro deste ano.O presidente da Petrobras recebe um salário de US$ 17,5 mil por mês, segundo os dados publicados pelo jornal (FSP).

- Não é de espantar que a nacionalização do setor de gás seja questão de honra para a população boliviana e de sobrevivência política para o presidente Evo Morales. Qualquer análise dos indicadores do país desemboca na importância do produto. O problema é que essa significância pode ser minada de forma drástica caso o gás boliviano perca espaço no Brasil, seu principal mercado de exportação -o que leva à conclusão de que Morales está colocando a economia sob risco (FSP).

- Assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia diferencia a política externa brasileira da pregação anti-EUA do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Não queremos na América Latina um clima de Guerra Fria." Ele afirma que, na crise do gás, a Bolívia tem "menos alternativas" do que o Brasil, pois não teria como vender seu produto a outro país (FSP).

- O Uruguai, sócio menor do Mercosul, encontrou a fórmula para se diferenciar dos seus parceiros e acelerar seu próprio desenvolvimento: assumir o capitalismo em atos e discursos, apesar de, paradoxalmente, ter há 14 meses um presidente socialista, Tabaré Vázquez (FSP).

- A surpresa dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e do argentino Néstor Kirchner com a nacionalização do gás boliviano demonstrou que algo não vai bem entre os líderes da esquerda latino-americana. O boliviano Evo Morales nem avisou previamente os colegas. Quem soube da medida antes - e a aprovou - foi o venezuelano Hugo Chávez.As últimas semanas foram ricas em desmentir que um bloco unido com afinidades à esquerda estava surgindo na América Latina (FSP).

- O susto dado pelo presidente boliviano Evo Morales ao nacionalizar a exploração de gás e petróleo na segunda-feira não foi só no Itamaraty. Foi também em seu equivalente norte-americano, o Departamento de Estado, e em sua titular, Condoleezza Rice. A diferença, porém, é que no caso norte-americano o sobressalto foi genuíno: sob George W. Bush, os EUA ignoravam a existência da América Latina (FSP).

- As recriminações começaram quase imediatamente depois de a queda de uma ponte ter obrigado o governo do presidente Hugo Chávez Frías a fechar a única rodovia que liga o maior aeroporto da Venezuela à capital do país, em janeiro. Os adversários de Chávez o acusaram de desperdiçar a riqueza petrolífera nacional em projetos de motivação política no exterior, ao mesmo tempo em que deixa de lado necessidades de infra-estrutura de seu país (FSP).

segunda-feira, maio 01, 2006

Arquivo Maio 2006 - 1ª semana

06/05 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que, se houver aumento do preço do gás comprado da Bolívia, o custo não será bancado pela população brasileira. Segundo Lula, que deverá anunciar oficialmente no mês que vem que disputará a reeleição, o eventual aumento do preço do gás será absorvido pela Petrobras (FSP).

- Questionado sobre a declaração do presidente Lula, segundo a qual se o preço do gás subir a empresa é que arcaria com o custo -e não os consumidores-, o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, disse não acreditar em aumento no preço do gás estabelecido no contrato assinado com o governo boliviano. Ou seja, a Petrobras não sofrerá com um potencial aumento de custos (FSP).

- O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem, por meio de nota, que não há contradição entre as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que aceita uma negociação do preço do gás importado da Bolívia e a posição da Petrobras de não aceitar um reajuste (FSP).

- Apesar do discurso mais suave do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro já decidiu que não aceitará aumento no preço do gás boliviano se não forem alteradas regras no contrato entre os dois países para compensar a Petrobras (FSP).

- A reportagem da Folha localizou ontem à tarde a equipe de 28 técnicos que a gigante venezuelana PDVSA mantém desde a semana passada em Santa Cruz de la Sierra, cidade que concentra as sedes das principais multinacionais em operação na Bolívia e algumas instalações importantes -como a refinaria da Petrobras Guillermo Elder Bell, a maior do país e nacionalizada pelo decreto da última segunda (FSP).

- Numa demonstração da escalada da crise diplomática entre uruguaios e argentinos, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, levou ontem 19 governadores e parte do seu gabinete à fronteira do Uruguai para um ato político contra a instalação de duas multinacionais de papel no país vizinho (FSP).

- O ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o governo brasileiro não está "jogando para a platéia" na crise gerada pela nacionalização do gás boliviano e defendeu o diálogo. (FSP)

05/05 - Os presidentes de Brasil, Bolívia, Argentina e Venezuela tentaram mostrar ontem que não estão em pé de guerra por conta da crise gerada pela nacionalização do gás boliviano. Em meio ao imbróglio diplomático, todos voltaram a dizer que respeitam a decisão soberana da Bolívia e que conseguiram o compromisso boliviano de que não haverá interrupção no fornecimento de gás. Mas eles não tocaram em dois dos pontos mais sensíveis para os envolvidos no conflito: qual será o preço do combustível e o que acontecerá com os bens e investimentos da Petrobras no país vizinho (FSP).

04/05 - Em tom mais duro do que o do governo Lula, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, anunciou ontem a suspensão de novos investimentos da empresa na Bolívia e afirmou que não aceitará aumento de preço do gás natural imposto pelo país (FSP).

- A reunião em Puerto Iguazú serviu para quase nada, exceto talvez demarcar as diferenças de interesses na mesa. Sobressaiu-se, como sempre, a colorida e cada vez menos folclórica retórica do venezuelano Hugo Chávez - Igor Gielow (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou, há mais de um mês, carta a seu colega boliviano Evo Morales, na qual tratava, de forma abrangente, as relações Brasil/Bolívia, passando, inexoravelmente, pela questão do gás. Nem recebeu resposta (FSP).

- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que a Petrobras faz "chantagem" ao afirmar que não fará novos investimentos no país vizinho devido ao decreto que nacionalizou as reservas de petróleo e gás (FSP).

- Anteontem à noite, o governo boliviano anunciou o aumento de 13,6% no salário mínimo, que passou de 440 para 500 bolivianos, o equivalente a US$ 62,50. Antes, já havia melhorado os salários dos funcionários da saúde pública e dos professores e reajustado em cerca de 5% as aposentadorias (FSP).

- Cidades bolivianas na fronteira com o Brasil, próximo a Corumbá (MS), vivem desde anteontem à noite um confronto entre a etnia colla -que apóia a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de expulsar do país a siderúrgica brasileira EBX- e a etnia camba, contrária à medida tomada no início de abril, antes da nacionalização do gás (FSP).

- Três dias depois do decreto da nacionalização, a Petrobras Bolívia ainda não sabia ontem de que forma acatará várias medidas do governo, como a elevação da tributação de 50% para 82%. A empresa afirma que nenhuma de suas operações no país foi afetada até agora e que está estudando uma ação na Justiça boliviana contestando a constitucionalidade das medidas (FSP).

- O norte-americano foi mais cuidadoso, o uruguaio, mais efusivo. O encontro de uma hora que os presidentes George W. Bush e Tabaré Vázquez tiveram ontem pela manhã na Casa Branca produziu pelo menos um resultado concreto: ambos os países concordaram em ampliar suas relações comerciais (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às críticas que recebeu de vários setores nos últimos dias, entre especialistas e empresários, segundo as quais o governo não reagiu com a dureza necessária contra a decisão da Bolívia de nacionalizar suas jazidas de gás. "Não sei qual é a solução concreta que os críticos desejam." Em seguida, defendeu a integração sul-americana, a soberania de cada país e disse que "o Brasil não quer hegemonia, mas parceria" (FSP).

- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu ontem as críticas de que a política externa do Brasil é equivocada e as classificou de "oportunistas" (FSP).

- Um dos principais críticos ao governo Hugo Chávez, Teodoro Petkoff, 74, dono do jornal "Tal Cual" e candidato à Presidência da Venezuela, reconhece que a oposição fez "pouco de bom" para oferecer alternativas no país - Entrevista (FSP).

- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem a retirada de seu embaixador no Peru, em reação à decisão de Lima de chamar seu representante em Caracas, na última segunda-feira (FSP).

- O Tribunal de Contas da União aprovou ontem a realização de auditoria, com acompanhamento permanente, do patrimônio público brasileiro, incluído o administrado pelas estatais, na América Latina (FSP).

- Brasil e Bolívia terão a partir de agora um duro enfrentamento na negociação do preço do gás. O governo de Evo Morales quer elevá-lo em cerca de 45%, o que significaria US$ 8,00 o milhar de metro cúbico para o consumidor final. Hoje, o gás chega a São Paulo a um preço próximo de US$ 5,50 o milhar de metro cúbico (FSP).

- Há um evidente exagero em julgar a política externa brasileira pelo episódio Evo Morales. A política externa brasileira não elegeu Morales e, provavelmente, facilitará nos próximos contatos com ele. Só daqui a 40 dias -quando terminarem as eleições para a nova Constituinte, razão maior para os últimos atos de Morales- se saberá com clareza o que ele quer e se a política externa brasileira em relação à Bolívia renderá frutos positivos ou não - Luiz Nassif (FSP).

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou ontem a decisão do boliviano Evo Morales de nacionalizar as reservas de gás de seu país e disse que não existe nenhuma crise entre os dois países (FSP).

- O governo boliviano tem utilizado funcionários da estatal venezuelana PDVSA para fazer levantamentos técnicos e vistoriar as operações de empresas multinacionais que atuam no país, segundo avaliação interna da Petrobras Bolívia, que vê uma "predominância" dessa empresa na debilitada YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), a estatal boliviana (FSP).

- Na véspera de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o venezuelano Hugo Chávez desembarcou ontem à noite em La Paz, capital da Bolívia, para dar uma forte declaração de apoio à decisão de seu colega Evo Morales de nacionalizar a exploração de gás e petróleo, que afeta em cheio a brasileira Petrobras (FSP).

- O governo brasileiro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou seus assessores mais próximos, pretende reclamar hoje ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do que considera "jogo duplo" deste, ao propor um megaprojeto de integração regional (o gasoduto de Puerto Ordaz ao rio da Prata), ao mesmo tempo em que estimula a nacionalização do gás boliviano, em prejuízo do Brasil (FSP).

- Coerente com a falta de política do governo Bush para a América Latina, os Estados Unidos demoraram dois dias para reagir à nacionalização do gás na Bolívia. Mesmo assim, indiretamente. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, citou o perigo de "demagogos e autoritários" no continente, em discurso em reunião no Conselho das Américas, ontem pela manhã, em Washington (FSP).

- Na véspera do encontro do presidente Evo Morales com seu colega brasileiro, o ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Soliz, disse que, caso a Petrobras Bolívia e outras empresas nacionalizadas não cheguem a um acordo satisfatório com o governo, haverá expropriações. É a primeira vez que um alto funcionário do governo admite abertamente essa possibilidade (FSP).

- Uruguai e Paraguai negociam uma reformulação no Mercosul para permitir que, como membros mais pobres, possam atrair investimentos externos importantes em suas economias. Enquanto Brasil e Argentina têm realizado freqüentes reuniões bilaterais, eles já promovem contatos paralelos (FSP).

- Na véspera de se encontrar com George W. Bush, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, indicou que assinará acordo comercial com os EUA (FSP).

- Vicente Brito, ex-presidente da maior entidade empresarial da Venezuela, a Fedecámaras, lançou sua candidatura às eleições presidenciais de dezembro, informou ontem o jornal "El Universal" (FSP).

03/05 - A Petrobrás cancelou nesta quarta-feira investimentos adicionais na expansão do gasoduto Brasil-Bolívia, mas evitou falar em retaliação dois dias após o decreto de nacionalização de ativos de gás e petróleo no país vizinho (UOL).

01/05 - A Bolívia decidiu nacionalizar a exploração dos negócios de petróleo e gás no país. O presidente Evo Morales ordenou a ocupação pelo Exército dos campos de produção das empresas estrangeiras no país, entre elas a estatal brasileira Petrobras (FSP).

- O ministo de Minas e Energia, Silas Rondeau, classificou de "inamistoso" o decreto do presidente da Bolívia, Evo Morales, que determinou a nacionalização da exploração de petróleo e gás natural no país (Folha Online).

- O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou hoje que com diplomacia o Brasil chegará a uma solução com o governo boliviano, que hoje decretou a nacionalização das suas reservas de petróleo e gás natural (Folha Online).

- O Uruguai está se preparando para renunciar à sua condição de membro pleno do Mercosul e passar a ser um parceiro comercial do bloco, anunciou nesta segunda-feira o presidente do país, Tabaré Vázquez (Terra).

- Ditadores e líderes populistas têm muita coisa em comum. Ambos precisam de inimigos externos para justificar as mazelas nacionais. Ameaças estrangeiras também servem para buscar unidades patrióticas e justificar restrições à liberdade dos locais. Os estrangeiros são os culpados, mas são os nacionais que perdem liberdades. Dessas ideologias e práticas resultam mitos conhecidos: a América Latina sofre de atraso histórico por causa dos Estados Unidos e é preciso livrar-se dos gringos para se desenvolver. Por isso, por exemplo, acordos de livre comércio com os EUA são como se atirar na boca do tigre imperialista.

- Ditadores e líderes populistas têm muita coisa em comum. Ambos precisam de inimigos externos para justificar as mazelas nacionais. Ameaças estrangeiras também servem para buscar unidades patrióticas e justificar restrições à liberdade dos locais. Os estrangeiros são os culpados, mas são os nacionais que perdem liberdades. Dessas ideologias e práticas resultam mitos conhecidos: a América Latina sofre de atraso histórico por causa dos Estados Unidos e é preciso livrar-se dos gringos para se desenvolver. Por isso, por exemplo, acordos de livre comércio com os EUA são como se atirar na boca do tigre imperialista - Carlos Alberto Sardenberg (Estadão).