Arquivo Maio 2006 - 3ª Semana
20/05 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Natal (RN), que o Brasil deverá alcançar a auto-suficiência na produção de gás em 2008. Mesmo assim, afirmou, não deixará de importar o produto da Bolívia para ajudar o povo daquele país, que, segundo ele, é "muito pobre" (FSP).
- A Venezuela emprestará à Bolívia US$ 100 milhões para a execução do seu projeto de reforma agrária, disse ontem o ministro de Desenvolvimento Rural, Agropecuário e Meio Ambiente da Bolívia, Hugo Salvatierra (FSP).
19/05 - A Petrobras anunciou ontem que irá aumentar a oferta de gás natural produzido no Brasil em 24,2 milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2008. O Brasil continuará importando gás boliviano, mas o aumento da demanda nos próximos anos poderá ser atendido por gás do país. O gás adicional virá de novas descobertas na bacia do Espírito Santo (FSP).
- A Petrobras já tem plano para substituir os 14 milhões de metros cúbicos de gás que seriam importados pelo gasoduto Bolívia-Brasil: a estatal construirá duas unidades que permitirão trazer gás do exterior em navios sob a forma de GNL (Gás Natural Liquefeito). O investimento será de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões (FSP).
- A economia argentina completou em março sete trimestres consecutivos de crescimento superior a 8%, apesar de o nível de atividade daquele mês ter ficado abaixo do esperado pelo mercado (FSP).
- Diante de um personagem tão polarizador, amado e odiado com igual grau de histeria, a biografia "Hugo Chávez sem uniforme" (ed. Gryphus) foi elogiada em críticas desde o "The New York Times" ao diário da esquerda argentina "Página/12". Os autores -o casal venezuelano formado pela jornalista Cristina Marcano e o escritor Alberto Barrera- viveram no México entre 1996 e 2002, ficando de fora da eleição do ex-coronel e do golpe contra ele. A proposta de escrever a biografia nasceu justamente do braço mexicano da editora Random House/Mondadori. Ambos voltaram à Venezuela, e durante dois anos, até o final de 2004, pesquisaram a vida do presidente, há sete anos no poder - Entrevista (FSP).
- O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, 67, foi libertado ontem sob fiança e deixou a prisão no Chile onde esteve detido nos últimos seis meses (FSP).
- O ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990) foi interrogado ontem sobre o desaparecimento de 37 dissidentes durante seu regime como parte da Operação Colombo (FSP).
18/05 - O episódio Brasil-Bolívia não é suficiente para julgar Evo Morales. Por enquanto, mostra apenas um político desajeitado em um país sem tradição diplomática. Mas está sendo fundamental para avaliar a conveniência ou não de avançar qualquer projeto com Hugo Chávez, o presidente da Venezuela - Luís Nassif (FSP).
- O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que "se restabeleceu o clima de confiança" entre o Brasil e a Bolívia, "passados os excessos verbais de algumas autoridades bolivianas"(FSP).
- O comércio entre os países latino-americanos crescerá 15,5% em 2006 e atingirá uma movimentação de US$ 90 bilhões. A previsão consta no informe Projeções do Comércio Inter-regional - Perspectivas para 2006 -, da Aladi (Associação Latino-americana de Integração), que coloca o Brasil como locomotiva desse crescimento, com 24% do seu total (FSP).
- O Equador classificou como chantagem a decisão dos EUA de interromper negociações do acordo bilateral dos dois países devido à decisão do governo equatoriano de rescindir o contrato que tinha com a petrolífera americana Oxy (FSP).
- A economia venezuelana registrou no primeiro trimestre deste ano um crescimento de 9,4% em seu PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com o Banco Central da Venezuela, este é o décimo trimestre consecutivo de alta e o melhor desempenho da economia desde 1990, quando o país começou a calcular o PIB por trimestre (FSP).
- O candidato nacionalista à Presidência do Peru, Ollanta Humala, deve ganhar força entre o eleitorado pobre na reta final do segundo turno, caracterizando seu rival, o ex-presidente Alan García, como o "candidato da elite", avaliou Alfredo Torres, diretor do Apoyo. O instituto de pesquisa é o mais respeitado do Peru (FSP).
17/05 - O governo boliviano apresentou a sua proposta de reforma agrária, na qual prevê uma distribuição de terras "rápida e maciça", privilegia comunidades indígenas e mulheres e se compromete a respeitar latifúndios, desde que em situação regular e produtivos (FSP).
- Com um discurso bastante afinado com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que um possível reajuste do gás não deve afetar muito o Brasil e a Argentina (FSP).
- Independentemente do resultado das negociações entre a Petrobras e a YPFB (estatal boliviana), o preço do gás natural comprado da Bolívia aumenta em julho. O aumento é resultado da aplicação do contrato em vigor entre as duas empresas, que prevê reajustes trimestrais (FSP).
- O governo Bush anunciou ontem que encerrou as negociações para um acordo de livre comércio com o Equador. "Estamos muito decepcionados. A partir de agora, encerramos as nossas negociações com o país", afirmou Neena Moorjani, porta-voz do USTr (órgão representante de comércio nos Estados Unidos), referindo-se à decisão tomada anteontem pelo governo equatoriano de cancelar contrato de operação da petrolífera americana Occidental no país (FSP).
- O Congresso da Venezuela aprovou ontem o novo imposto a ser cobrado de petrolíferas estrangeiras no país.
Agora, empresas como Chevron, Exxon Mobile, ConocoPhillips, Norway's Statoil ASA e France's Total, que atuam na bacia do rio Orinoco, serão obrigadas a pagar uma taxa de 33,3% sobre suas atividades para poder operar no país, a mesma taxa cobrada pelas empresas privadas em joint ventures com o governo (FSP).
- As Forças Armadas venezuelanas estudam a venda de seus 21 caças F-16 de fabricação americana a outro país, possivelmente o Irã, em reação ao veto à compra de armas imposto ao país pelos EUA (FSP).
16/05 - O presidente boliviano, Evo Morales, deixou ontem definitivamente claro que seu governo não vai indenizar a Petrobras pelos investimentos feitos no país vizinho, mas poderá fazê-lo em relação às instalações da estatal brasileira, na dependência dos resultados de uma auditoria já em andamento (FSP).
- Novamente sem aviso prévio e para demonstrar força, o governo boliviano promulgou ontem um decreto adicional de nacionalização dos hidrocarbonetos, no qual estabelece um prazo de apenas três dias para que os fundos de pensão transfiram ao Estado as ações de três empresas nacionalizadas, sob pena de intervenção (FSP).
- A Petrobras considera a possibilidade de aumentar os investimentos na exploração e na produção de gás, em decorrência da crise com a Bolívia, que pode, em tese, adiar em alguns meses a auto-suficiência do país, segundo o diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbasse (FSP).
- O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, disse acreditar numa posição "flexível" da Petrobras durante as negociações sobre a fixação do preço do gás vendido ao Brasil, mas advertiu que, caso não haja aumento, os volumes de exportação permanecerão os mesmos (FSP).
- No momento em que a Petrobras sinaliza que não aceitará o aumento do gás boliviano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a importação do produto ao mercado nacional está condicionada ao preço que o vizinho sul-americano irá oferecer ao Brasil. De acordo com Lula, o governo "vai priorizar agora a busca pela auto-suficiência na produção de gás"(FSP).
- O Palácio do Planalto já dá como certa a desapropriação em massa dos fazendeiros brasileiros na Bolívia, mas, por outro lado, não possui nenhum plano emergencial para remanejá-los para terras nacionais (FSP).
- A empresa petrolífera francesa Total anunciou ontem que está disposta a deixar de investir na Bolívia após a decisão do país vizinho de nacionalizar as reservas de petróleo e gás. A Total tem participação de 15% nos campos de San Antonio e San Alberto, na Bolívia -operados pela Petrobras (FSP).
- Os EUA proibiram ontem a venda de armas e material militar à Venezuela, ao considerar que o país não coopera na luta contra o terrorismo. Chávez respondeu que a atitude era "imperialista".
O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que está convencido de que o governo venezuelano "ganhou honestamente seu lugar entre os países que não cooperam na luta antiterrorista" (FSP).
15/05 - A Petrobras e a YPFB (estatal boliviana) iniciam hoje processo de negociação sobre o preço do gás, mas, do lado brasileiro, já está decidido: não será aceito pedido de aumento.
Segundo a Folha apurou, a Petrobras demonstrará aos representantes da estatal boliviana que o aumento do gás torna o produto pouco competitivo no Brasil, o que levaria a indústria, principal consumidora, a substituí-lo por outros combustíveis (FSP).
- O presidente em exercício da Bolívia, Alvaro García Linera, disse que a parceria com o Brasil é muito mais importante do que a Venezuela e que não há motivos para "ciúmes" com relação aos potenciais investimentos do governo Hugo Chávez no país. Por outro lado, disse que, se a Petrobras não aceitar assinar novos contratos no período de 180 dias estipulado pelo decreto de nacionalização, terá de deixar o país -e, pelas auditorias do governo, sem direito a indenização sobre os megacampos de exploração San Alberto e San Antonio - Entrevista (FSP).
- O bate-boca e a crise diplomática entre Brasil e Bolívia após o decreto de nacionalização reacenderam no país a tese do "subimperialismo brasileiro", corrente entre a esquerda local, sobretudo nos anos 1970, por causa da relação entre as ditaduras militares. O tema é o assunto principal da edição distribuída ontem do semanário "Juguete Rabioso" ("Brinquedo Raivoso"), principal publicação ligada ao MAS (Movimento ao Socialismo), partido do presidente Evo Morales (FSP).
- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem em Paris que "ainda está tentando saber como se governa" e que não é fácil passar de "líder sindical a presidente". (FSP).
- A nacionalização das reservas de gás e petróleo da Bolívia é mais um sintoma do agravamento da disputa mundial pelo controle das reservas de combustíveis não-renováveis. O tema dominou a visita a Washington do presidente chinês, Hu Jintao, em abril, e estará na pauta da reunião do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) em julho, em São Petersburgo. Compõe também o pano de fundo das crises em torno do programa nuclear do Irã e da matança de civis na guerra civil em Darfur, no Sudão (FSP).
- O candidato de oposição à Presidência da Colômbia, Alvaro Leyva, desistiu ontem de sua candidatura. As eleições, marcadas para o próximo dia 28, têm o presidente Álvaro Uribe como favorito (FSP).
- Em entrevista ao jornal chinelo "El Mercurio", o ex-presidente argentino Carlos Menem, 76, disse estar determinado a participar da próxima eleição presidencial, marcada para outubro de 2007 (FSP).
14/05 - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse a seu colega boliviano, Evo Morales, que, por mais que defenda a integração sul-americana e a parceria com a Bolívia, não quer mais "uma espada sobre a cabeça", em alusão direta às duras críticas de Evo à Petrobras e ao Brasil, feitas em entrevista na quinta-feira, ainda que retificadas no dia seguinte (FSP).
- Entidades que representam 82% dos consumidores industriais de gás enviaram cartas ao governo em que reivindicam a criação de grupo de trabalho para discutir alternativas de abastecimento se houver interrupção de fornecimento pela Bolívia (FSP).
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou conceito que começou a usar logo no início da Presidência para situá-lo no contexto da crise Brasil-Bolívia. "É preciso parar, na América Latina, de um presidente ficar culpando o mundo pela pobreza de seu país. É preciso saber o que nós deixamos de fazer em algum momento da nossa história e acho que, se a gente pensar no século 21, a gente pode dar um salto de qualidade. Se a gente ficar remoendo o passado, na verdade nós não andaremos."(FSP).
- O decreto de nacionalização do gás e petróleo na Bolívia faz parte de um "jogo político" necessário ao presidente Evo Morales, no qual é preciso encenar força e nacionalismo para um eleitorado radical e, nos bastidores, buscar diálogo e soluções negociadas com os países vizinhos e empresas investidoras. Essa é a opinião de William Powers, autor do livro "Whispering in the Giant's Ear", sobre a guerra da Bolívia contra a globalização, que será lançado na próxima semana nos Estados Unidos (FSP).
- "A integração sul-americana deveria ter sido feita baseada em regras claras e contratos, não apenas com afinidades ideológicas aparentes entre os governos." A opinião é do jornalista Michael Reid, editor desde 1999 da seção "The Americas", que inclui todo o noticiário latino-americano da revista britânica "The Economist", a bíblia do liberalismo econômico. Ele foi correspondente da revista em São Paulo de 1996 a 1999. Antes, Reid representou a publicação em Lima e na Cidade do México - Entrevista (FSP).
- Cuba busca uma transformação para sobreviver. Quem afirma é Fidel Castro. "Os ianques não podem destruir o processo revolucionário, pois nossa população aprendeu a portar armas. Mas este país pode se autodestruir se não formos capazes de corrigir nossos erros", diz o ditador, no poder desde 1959. O alerta foi feito durante uma série de cem horas de entrevista a Ignacio Ramonet, editor do "Le Monde Diplomatique", cujo resultado é o livro "Fidel Castro Autobiografia a Dos Voces". Nas 569 páginas, o líder cubano, que tem quase 80 anos, também fala de sua sucessão e afirma não acreditar que Cuba seguirá o caminho da União Soviética, embora reconheça as ameaças que enfrenta (FSP).
- O presidente da Bolívia continua a manter hábitos da época em que era líder sindical. Não se acostumou à residência oficial e prefere dormir, duas ou três vezes por semana, na pequena casa de 36 m2 que alugou em La Paz quando era deputado. Suas jornadas de trabalho duram 20 horas. Este é o relato de um dia completo com o homem que governa um dos países mais pobres da América do Sul. A data? 27 de abril, dia em que concluiu o decreto que nacionalizaria os hidrocarbonetos bolivianos (FSP).
- Morales está convencido de que existe uma conspiração contra ele: "Nessa conspiração existe uma corrente da oligarquia e de algumas multinacionais petrolíferas, de políticos nefastos, corruptos, neoliberais", acusa. "Temos informações dos serviços de inteligência e das Forças Armadas." Ele está preocupado? "Não, pelo contrário, me sinto forte."(FSP).
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