Arquivo Maio 2006 - 1ª semana
06/05 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que, se houver aumento do preço do gás comprado da Bolívia, o custo não será bancado pela população brasileira. Segundo Lula, que deverá anunciar oficialmente no mês que vem que disputará a reeleição, o eventual aumento do preço do gás será absorvido pela Petrobras (FSP).
- Questionado sobre a declaração do presidente Lula, segundo a qual se o preço do gás subir a empresa é que arcaria com o custo -e não os consumidores-, o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, disse não acreditar em aumento no preço do gás estabelecido no contrato assinado com o governo boliviano. Ou seja, a Petrobras não sofrerá com um potencial aumento de custos (FSP).
- O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem, por meio de nota, que não há contradição entre as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que aceita uma negociação do preço do gás importado da Bolívia e a posição da Petrobras de não aceitar um reajuste (FSP).
- Apesar do discurso mais suave do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro já decidiu que não aceitará aumento no preço do gás boliviano se não forem alteradas regras no contrato entre os dois países para compensar a Petrobras (FSP).
- A reportagem da Folha localizou ontem à tarde a equipe de 28 técnicos que a gigante venezuelana PDVSA mantém desde a semana passada em Santa Cruz de la Sierra, cidade que concentra as sedes das principais multinacionais em operação na Bolívia e algumas instalações importantes -como a refinaria da Petrobras Guillermo Elder Bell, a maior do país e nacionalizada pelo decreto da última segunda (FSP).
- Numa demonstração da escalada da crise diplomática entre uruguaios e argentinos, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, levou ontem 19 governadores e parte do seu gabinete à fronteira do Uruguai para um ato político contra a instalação de duas multinacionais de papel no país vizinho (FSP).
- O ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o governo brasileiro não está "jogando para a platéia" na crise gerada pela nacionalização do gás boliviano e defendeu o diálogo. (FSP)
05/05 - Os presidentes de Brasil, Bolívia, Argentina e Venezuela tentaram mostrar ontem que não estão em pé de guerra por conta da crise gerada pela nacionalização do gás boliviano. Em meio ao imbróglio diplomático, todos voltaram a dizer que respeitam a decisão soberana da Bolívia e que conseguiram o compromisso boliviano de que não haverá interrupção no fornecimento de gás. Mas eles não tocaram em dois dos pontos mais sensíveis para os envolvidos no conflito: qual será o preço do combustível e o que acontecerá com os bens e investimentos da Petrobras no país vizinho (FSP).
04/05 - Em tom mais duro do que o do governo Lula, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, anunciou ontem a suspensão de novos investimentos da empresa na Bolívia e afirmou que não aceitará aumento de preço do gás natural imposto pelo país (FSP).
- A reunião em Puerto Iguazú serviu para quase nada, exceto talvez demarcar as diferenças de interesses na mesa. Sobressaiu-se, como sempre, a colorida e cada vez menos folclórica retórica do venezuelano Hugo Chávez - Igor Gielow (FSP).
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou, há mais de um mês, carta a seu colega boliviano Evo Morales, na qual tratava, de forma abrangente, as relações Brasil/Bolívia, passando, inexoravelmente, pela questão do gás. Nem recebeu resposta (FSP).
- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que a Petrobras faz "chantagem" ao afirmar que não fará novos investimentos no país vizinho devido ao decreto que nacionalizou as reservas de petróleo e gás (FSP).
- Anteontem à noite, o governo boliviano anunciou o aumento de 13,6% no salário mínimo, que passou de 440 para 500 bolivianos, o equivalente a US$ 62,50. Antes, já havia melhorado os salários dos funcionários da saúde pública e dos professores e reajustado em cerca de 5% as aposentadorias (FSP).
- Cidades bolivianas na fronteira com o Brasil, próximo a Corumbá (MS), vivem desde anteontem à noite um confronto entre a etnia colla -que apóia a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de expulsar do país a siderúrgica brasileira EBX- e a etnia camba, contrária à medida tomada no início de abril, antes da nacionalização do gás (FSP).
- Três dias depois do decreto da nacionalização, a Petrobras Bolívia ainda não sabia ontem de que forma acatará várias medidas do governo, como a elevação da tributação de 50% para 82%. A empresa afirma que nenhuma de suas operações no país foi afetada até agora e que está estudando uma ação na Justiça boliviana contestando a constitucionalidade das medidas (FSP).
- O norte-americano foi mais cuidadoso, o uruguaio, mais efusivo. O encontro de uma hora que os presidentes George W. Bush e Tabaré Vázquez tiveram ontem pela manhã na Casa Branca produziu pelo menos um resultado concreto: ambos os países concordaram em ampliar suas relações comerciais (FSP).
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às críticas que recebeu de vários setores nos últimos dias, entre especialistas e empresários, segundo as quais o governo não reagiu com a dureza necessária contra a decisão da Bolívia de nacionalizar suas jazidas de gás. "Não sei qual é a solução concreta que os críticos desejam." Em seguida, defendeu a integração sul-americana, a soberania de cada país e disse que "o Brasil não quer hegemonia, mas parceria" (FSP).
- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu ontem as críticas de que a política externa do Brasil é equivocada e as classificou de "oportunistas" (FSP).
- Um dos principais críticos ao governo Hugo Chávez, Teodoro Petkoff, 74, dono do jornal "Tal Cual" e candidato à Presidência da Venezuela, reconhece que a oposição fez "pouco de bom" para oferecer alternativas no país - Entrevista (FSP).
- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem a retirada de seu embaixador no Peru, em reação à decisão de Lima de chamar seu representante em Caracas, na última segunda-feira (FSP).
- O Tribunal de Contas da União aprovou ontem a realização de auditoria, com acompanhamento permanente, do patrimônio público brasileiro, incluído o administrado pelas estatais, na América Latina (FSP).
- Brasil e Bolívia terão a partir de agora um duro enfrentamento na negociação do preço do gás. O governo de Evo Morales quer elevá-lo em cerca de 45%, o que significaria US$ 8,00 o milhar de metro cúbico para o consumidor final. Hoje, o gás chega a São Paulo a um preço próximo de US$ 5,50 o milhar de metro cúbico (FSP).
- Há um evidente exagero em julgar a política externa brasileira pelo episódio Evo Morales. A política externa brasileira não elegeu Morales e, provavelmente, facilitará nos próximos contatos com ele. Só daqui a 40 dias -quando terminarem as eleições para a nova Constituinte, razão maior para os últimos atos de Morales- se saberá com clareza o que ele quer e se a política externa brasileira em relação à Bolívia renderá frutos positivos ou não - Luiz Nassif (FSP).
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou ontem a decisão do boliviano Evo Morales de nacionalizar as reservas de gás de seu país e disse que não existe nenhuma crise entre os dois países (FSP).
- O governo boliviano tem utilizado funcionários da estatal venezuelana PDVSA para fazer levantamentos técnicos e vistoriar as operações de empresas multinacionais que atuam no país, segundo avaliação interna da Petrobras Bolívia, que vê uma "predominância" dessa empresa na debilitada YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), a estatal boliviana (FSP).
- Na véspera de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o venezuelano Hugo Chávez desembarcou ontem à noite em La Paz, capital da Bolívia, para dar uma forte declaração de apoio à decisão de seu colega Evo Morales de nacionalizar a exploração de gás e petróleo, que afeta em cheio a brasileira Petrobras (FSP).
- O governo brasileiro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou seus assessores mais próximos, pretende reclamar hoje ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do que considera "jogo duplo" deste, ao propor um megaprojeto de integração regional (o gasoduto de Puerto Ordaz ao rio da Prata), ao mesmo tempo em que estimula a nacionalização do gás boliviano, em prejuízo do Brasil (FSP).
- Coerente com a falta de política do governo Bush para a América Latina, os Estados Unidos demoraram dois dias para reagir à nacionalização do gás na Bolívia. Mesmo assim, indiretamente. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, citou o perigo de "demagogos e autoritários" no continente, em discurso em reunião no Conselho das Américas, ontem pela manhã, em Washington (FSP).
- Na véspera do encontro do presidente Evo Morales com seu colega brasileiro, o ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Soliz, disse que, caso a Petrobras Bolívia e outras empresas nacionalizadas não cheguem a um acordo satisfatório com o governo, haverá expropriações. É a primeira vez que um alto funcionário do governo admite abertamente essa possibilidade (FSP).
- Uruguai e Paraguai negociam uma reformulação no Mercosul para permitir que, como membros mais pobres, possam atrair investimentos externos importantes em suas economias. Enquanto Brasil e Argentina têm realizado freqüentes reuniões bilaterais, eles já promovem contatos paralelos (FSP).
- Na véspera de se encontrar com George W. Bush, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, indicou que assinará acordo comercial com os EUA (FSP).
- Vicente Brito, ex-presidente da maior entidade empresarial da Venezuela, a Fedecámaras, lançou sua candidatura às eleições presidenciais de dezembro, informou ontem o jornal "El Universal" (FSP).
03/05 - A Petrobrás cancelou nesta quarta-feira investimentos adicionais na expansão do gasoduto Brasil-Bolívia, mas evitou falar em retaliação dois dias após o decreto de nacionalização de ativos de gás e petróleo no país vizinho (UOL).
01/05 - A Bolívia decidiu nacionalizar a exploração dos negócios de petróleo e gás no país. O presidente Evo Morales ordenou a ocupação pelo Exército dos campos de produção das empresas estrangeiras no país, entre elas a estatal brasileira Petrobras (FSP).
- O ministo de Minas e Energia, Silas Rondeau, classificou de "inamistoso" o decreto do presidente da Bolívia, Evo Morales, que determinou a nacionalização da exploração de petróleo e gás natural no país (Folha Online).
- O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou hoje que com diplomacia o Brasil chegará a uma solução com o governo boliviano, que hoje decretou a nacionalização das suas reservas de petróleo e gás natural (Folha Online).
- O Uruguai está se preparando para renunciar à sua condição de membro pleno do Mercosul e passar a ser um parceiro comercial do bloco, anunciou nesta segunda-feira o presidente do país, Tabaré Vázquez (Terra).
- Ditadores e líderes populistas têm muita coisa em comum. Ambos precisam de inimigos externos para justificar as mazelas nacionais. Ameaças estrangeiras também servem para buscar unidades patrióticas e justificar restrições à liberdade dos locais. Os estrangeiros são os culpados, mas são os nacionais que perdem liberdades. Dessas ideologias e práticas resultam mitos conhecidos: a América Latina sofre de atraso histórico por causa dos Estados Unidos e é preciso livrar-se dos gringos para se desenvolver. Por isso, por exemplo, acordos de livre comércio com os EUA são como se atirar na boca do tigre imperialista.
- Ditadores e líderes populistas têm muita coisa em comum. Ambos precisam de inimigos externos para justificar as mazelas nacionais. Ameaças estrangeiras também servem para buscar unidades patrióticas e justificar restrições à liberdade dos locais. Os estrangeiros são os culpados, mas são os nacionais que perdem liberdades. Dessas ideologias e práticas resultam mitos conhecidos: a América Latina sofre de atraso histórico por causa dos Estados Unidos e é preciso livrar-se dos gringos para se desenvolver. Por isso, por exemplo, acordos de livre comércio com os EUA são como se atirar na boca do tigre imperialista - Carlos Alberto Sardenberg (Estadão).
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